Quem ainda tem dúvida sobre como montar cardápio de delivery ganhou um sinal claro do mercado, porque 53% das redes de food service adaptaram o cardápio por causa das canetas emagrecedoras, segundo a Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, feita com a Galunion e divulgada em 31/08/2026.
A mudança chegou também à tela do celular.
O número fala do cardápio das redes como um todo, do salão ao balcão. A ponte com o pedido por aplicativo aparece em outro dado da mesma pesquisa, e é ele que interessa a quem vende pela internet.
O que a pesquisa do food service encontrou sobre canetas emagrecedoras e cardápio?
Mais da metade das redes ouvidas mexeu no cardápio, e a maior parte das mudanças foi na direção de opções leves e saudáveis.
O levantamento anual da Associação Brasileira de Franchising (ABF) com a consultoria Galunion, na edição 2025-2026, mostra que 52% das marcas passaram a destacar opções com apelo saudável, 48% começaram a oferecer pratos mais leves e 36% deram mais destaque a pratos com maior teor de proteína.
Opções leves, saudáveis e com mais proteína
As redes responderam a um cliente que mudou o que pede e quanto pede. Os medicamentos da classe GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, entraram na conversa do setor justamente por esse efeito no pedido.
Para o restaurante pequeno, a leitura prática é simples.
Vale conferir se o cardápio tem ao menos uma opção leve e uma opção com mais proteína fáceis de achar, sem precisar de um cardápio novo inteiro.
Menos itens e receitas próprias
Outra parte das mudanças chegou à estrutura do cardápio, com listas menores e pratos autorais.
Na mesma Pesquisa Anual Setorial de Food Service 2025-2026, 56% das redes reduziram a quantidade de itens e 55% introduziram produtos de receita própria. Os dois números apontam para cardápios mais curtos e mais autorais, com pratos que a concorrência não copia com facilidade.
Quem vende por aplicativo pode usar a mesma lógica. A revisão mantém os pratos da casa e corta os itens repetidos, aqueles que só ocupam espaço na tela.
| O que as redes fizeram no cardápio | Parcela das redes |
|---|---|
| Reorganizaram o cardápio digital | 61% |
| Reduziram a quantidade de itens | 56% |
| Introduziram receitas próprias | 55% |
| Adaptaram o cardápio por causa das canetas emagrecedoras | 53% |
| Destacaram opções com apelo saudável | 52% |
| Passaram a oferecer opções mais leves | 48% |
| Evidenciaram pratos com mais proteína | 36% |
Vista em ordem, a tabela mostra que mexer na tela e enxugar a lista foram movimentos mais comuns do que criar pratos novos. Para quem tem pouco caixa, isso é uma boa notícia, porque reorganizar custa menos do que lançar.
Por que a mudança chega ao cardápio do delivery?
O cardápio digital foi a peça que mais mudou, e é nele que o cliente do delivery escolhe o pedido.
Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Franchising com a Galunion, divulgada em 31/08/2026, 61% das redes reorganizaram os cardápios digitais, um número maior do que o das redes que adaptaram o cardápio por causa das canetas, o que mostra que a revisão da tela virou prática comum no setor.
Cardápio digital reorganizado
Reorganizar o cardápio digital significa mudar a ordem, os nomes e as categorias para que o cliente decida mais rápido.
Na prática, isso passa por categorias com nomes claros, os pratos mais pedidos no topo de cada grupo e descrições curtas que dizem o que vem no prato.
Uma foto honesta de cada item ajuda o cliente a saber o tamanho do que está comprando.
Para quem está aprendendo como montar cardápio de delivery, a ordem das categorias já é uma decisão de venda. O que fica no alto da tela é o que mais aparece para quem rola o celular com pressa.
Porção e escolha mais simples na tela
Informar a porção com clareza ajuda o cliente que quer comer menos a escolher sem medo de errar.
O caminho é dizer quantas pessoas o prato serve ou o peso aproximado, e mostrar a opção individual ao lado da porção maior. O cliente que passou a pedir menos encontra o que procura, e o restaurante não perde a venda para o concorrente que deixou isso visível.
Como um consultor de delivery lê esse movimento
Para quem acompanha a operação de restaurantes, a revisão do cardápio começa pelos números de venda, antes de qualquer prato novo.
Vanfer Brito, fundador da GT Consultoria de Restaurantes, tem mais de quinze anos de experiência no mercado de alimentação e atua com vendas, cardápio, margem e gestão de delivery para donos de restaurantes e negócios de alimentação em todo o Brasil, a partir do Rio de Janeiro.
“Vender mais no delivery não depende só de promoção. O resultado vem da leitura dos dados de venda, da estrutura do cardápio, da margem e de como a operação executa cada pedido.”, afirma Vanfer Brito.
A fala conversa com o retrato da pesquisa.
Se a maioria das redes mexeu na tela e na quantidade de itens, a mudança só dá resultado quando vem amarrada ao que de fato vende e ao que sobra de lucro em cada pedido.
“Antes de mudar o cardápio, o dono do restaurante precisa olhar os números. A análise das vendas mostra quais itens saem, quais sustentam a margem e onde o cardápio precisa de ajuste.”, explica Brito.
Para o consultor, a tendência das opções leves entra nessa conta como mais um dado a pesar na decisão, ao lado das vendas e da margem de cada prato.
Como revisar o cardápio de delivery sem perder margem?
A revisão segura começa pelos dados de venda, passa pelo cálculo da margem e só depois mexe no que aparece na tela.
Para quem ainda está aprendendo como montar cardápio de delivery, a ordem importa, porque cortar um prato que vende pouco mas puxa pedidos maiores, ou criar uma opção leve com custo alto e preço baixo, pode reduzir o lucro do mês sem que o dono perceba de onde veio a perda.
Olhe os dados de venda antes de cortar
O relatório de vendas do aplicativo e do caixa mostra quais pratos saem e quais ficam parados.
- Separe os itens que mais vendem e os que quase não saem.
- Veja quais pratos aparecem junto com outros no mesmo pedido.
- Marque os itens parados que não puxam nenhum outro pedido. Esses são os candidatos ao corte.
- Guarde os pratos da casa, mesmo que vendam menos, se eles trazem o cliente de volta.
Recalcule preço e margem do item novo
Toda opção leve ou com mais proteína precisa ter o custo da ficha técnica calculado antes de entrar no cardápio.
Ingrediente, embalagem e a taxa do canal de venda entram na conta. Uma porção menor com embalagem cara pode deixar menos lucro do que o prato grande, então o preço precisa refletir o custo real do item.
Deixe opções leves fáceis de achar
Uma categoria própria com nome claro coloca as opções leves e as porções individuais à vista do cliente.
Nomes como pratos leves ou porção individual funcionam melhor do que termos vagos. Também vale destacar no nome do prato a fonte de proteína, que é a informação que esse cliente procura primeiro.
Cardápio enxuto ou cardápio incompleto
O cardápio enxuto corta o que não vende; o incompleto deixa sem resposta o cliente que procurava algo específico.
Antes de tirar uma categoria inteira, confira se ela atende a um público que não tem outra opção na casa. Um único prato leve bem feito pode segurar esse cliente sem inflar a lista.
Qual canal do delivery pede mais cuidado com o cardápio?
Os dois canais pedem atenção, porque o cardápio do restaurante vive tanto no aplicativo de entrega quanto na conversa direta com o cliente.
Em levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com 2.176 donos de estabelecimentos, divulgado em março de 2025, os pedidos feitos pelo aplicativo de mensagens responderam por 26% do faturamento com delivery, atrás dos marketplaces, com 54%, e à frente do aplicativo ou site próprio, com 12%.
Aplicativo de entrega e conversa direta
No aplicativo de entrega, o cliente compara vários restaurantes na mesma tela; na conversa direta, ele já escolheu a casa e quer pedir rápido.
Lido pelo lado de quem vende, o dado da Abrasel mostra que mais de um quarto da receita do delivery passa por um canal em que o próprio restaurante controla a apresentação do cardápio.
Esse espaço merece o mesmo cuidado que o aplicativo recebe.
Como adaptar o cardápio para cada canal
O cardápio do canal de mensagens funciona melhor quando é curto, com preço visível e as opções leves logo no começo.
No aplicativo de entrega, a disputa é por atenção, então foto, nome claro e a ordem das categorias pesam mais. Na conversa direta, um link com o cardápio organizado evita que o cliente precise perguntar item por item, e o pedido fecha mais rápido.
Quais sinais mostram que o cardápio do delivery precisa de novo ajuste?
O sinal mais claro é o pedido que muda de cara, com mais porções menores, mais trocas e pratos que deixam de sair.
Quem já entendeu como montar cardápio de delivery sabe que a revisão não acaba no lançamento, porque o comportamento do cliente muda aos poucos e o relatório de vendas costuma mostrar a virada antes que o dono perceba no balcão.
Sinais no comportamento do cliente
Pedidos de troca e de meia porção são os primeiros avisos de que o cardápio ficou para trás.
- Clientes pedindo para tirar o acompanhamento ou dividir a porção.
- Pratos que vendiam bem e passaram a sair menos, sem mudança de preço.
- Mensagens perguntando se existe opção mais leve ou com mais proteína.
- Avaliações que comentam o tamanho da porção.
Como acompanhar tendências sem mudar por impulso
A tendência do setor serve de alerta, mas a decisão final vem dos números do próprio restaurante.
Pesquisas como a da ABF mostram para onde o mercado está indo. Se as vendas da casa contam outra história, vale testar uma mudança pequena, medir por algumas semanas e só depois ampliar.
No fim, a dúvida sobre como montar cardápio de delivery ganhou um ingrediente novo.
O cardápio virou peça viva, que se ajusta ao cliente, e o restaurante que olha os próprios dados antes de mexer sai na frente sem perder o lucro pelo caminho.

