O consumo feminino de suplementos cresceu 50% no primeiro bimestre e já responde por cerca de um quarto das vendas online do setor, com a participação das compradoras subindo de 21,6% para 23,2% na base analisada pelo observatório Soldiers Insights.
O levantamento reuniu mais de 1,2 milhão de pedidos feitos pela internet e olhou para quem estava do outro lado da compra. O retrato que aparece é o de uma consumidora que compra pouco e sempre, em canais diferentes. Esse comportamento muda menos a vitrine da marca e mais a rotina de quem separa e despacha o pedido.
O que os números mostram sobre o consumo feminino de suplementos
As mulheres passaram a responder por cerca de um quarto de tudo o que o setor vende pela internet.
Os dados do observatório mostram alta de 50% nas compras feitas por mulheres no primeiro bimestre. A participação delas saiu de 21,6% e chegou a 23,2% da receita digital do setor. É um salto que tira a suplementação feminina da margem e coloca a consumidora no centro do canal.
O crescimento da compra online de suplementos foi medido pelo observatório Soldiers Insights, que cruzou mais de 1,2 milhão de pedidos do canal digital. O recorte por gênero mostra que a mulher deixou de ser público secundário da categoria.
Chegar a um quarto das vendas é um marco porque muda quem a categoria precisa atender.
Por muito tempo o consumo feminino de suplementos foi tratado como fatia complementar de um mercado desenhado para o público masculino, com embalagem, sabor e comunicação pensados para ele.
O tamanho da base analisada também pesa.
Um recorte com mais de 1,2 milhão de pedidos reduz a chance de o resultado refletir apenas o comportamento de uma marca ou de uma região específica do país.
Os principais indicadores da base analisada ajudam a enxergar o tamanho do movimento.
| Indicador da compra feminina | Valor |
|---|---|
| Crescimento no primeiro bimestre | 50% |
| Participação no faturamento online, antes | 21,6% |
| Participação no faturamento online, agora | 23,2% |
| Participação no volume de pedidos | 23,4% |
| Crescimento em pedidos, mercado total | 18,6% |
| Crescimento em pedidos, compradoras | 24,8% |
Por que a compra feminina cresce mais rápido que o mercado
A base de compradoras cresce em ritmo mais acelerado do que o mercado de suplementos como um todo.
O total de pedidos do setor avançou 18,6% e as compras feitas por mulheres subiram 24,8% no período. Elas respondem por 23,4% do volume e por 23,2% do faturamento da base analisada. A diferença entre os dois ritmos caracteriza uma mudança real de perfil de compra, e não um mercado que apenas cresce junto.
O recorte de comportamento aparece no levantamento publicado pelo Correio do Povo, que detalha o avanço do consumo de suplementos entre mulheres no país. O ritmo mais acelerado indica entrada de novas compradoras, e não apenas aumento de gasto de quem já comprava.
Parte da explicação está na saída do ambiente fitness.
A suplementação feminina entrou na rotina de autocuidado de mulheres que não treinam para competir, e passou a conviver com o café da manhã e a caixinha de vitaminas.
O que mudou na cesta das consumidoras, da estética à performance
A compra deixou de girar em torno de resultado visual e passou a mirar rotina e bem-estar contínuo.
A motivação estética abriu espaço para produtos ligados a performance, disposição e saúde no dia a dia. Isso muda a frequência, porque quem compra por rotina volta ao carrinho várias vezes ao ano. A compra pontual, feita para um objetivo de curto prazo, perde peso diante do consumo recorrente.
O pano de fundo é um setor que fechou o último ano com alta de 15% e faturamento de R$ 7,6 bilhões, segundo a BRASNUTRI com base em levantamento da Euromonitor International.
A entidade projeta R$ 13,8 bilhões no mercado de suplementos alimentares até o fim da década, o que transforma avanço percentual em milhões de pedidos a mais circulando.
O consumo feminino de suplementos deixou de ser compra de temporada.
A consumidora que busca disposição repõe o produto com regularidade parecida com a de um item de supermercado, e não com a de uma novidade testada uma vez.
O que a nova compradora cobra da entrega
A promessa da marca passou a ser confirmada ou quebrada no momento em que o pedido chega.
Pedidos menores e mais frequentes multiplicam o número de envios de cada consumidora ao longo do ano. Cada um deles precisa sair no mesmo padrão, com o item certo e o prazo cumprido. Quando a operação não acompanha essa frequência, o problema aparece na recompra e não na venda.
A recorrência cobra coisas concretas de quem separa, confere e despacha.
O mesmo item precisa estar disponível toda vez que a compradora volta, a conferência precisa pegar a troca de sabor ou de dosagem, e o endereço cadastrado meses antes precisa continuar valendo.
Há também um detalhe de calendário. Quem repõe suplemento costuma comprar quando o pote está acabando, o que deixa pouca folga entre o pedido e a necessidade real do produto.
Matheus Anselmo é fundador e CEO da LOG18K, operação de fulfillment que cuida da armazenagem e da expedição de suplementos e nutracêuticos vendidos pela internet.
É a LOG18K logística que separa, confere e despacha os pedidos de marcas do setor até a casa da consumidora, em um volume que passa de 60 mil produtos movimentados por mês.
Para o executivo, o gargalo mudou de lugar quando a base de compradoras acelerou. “Quando a base de compradoras cresce mais rápido que o mercado, o gargalo deixa de ser a venda e passa a ser a operação.
Atendemos só suplemento e nutracêutico, e é isso que permite desenhar o processo para o perfil de pedido desse consumidor, e não para uma média de mercado.”
O executivo afirma que a segunda compra se decide na etapa final. “Marketing gera a primeira venda. A entrega decide a segunda.
Nosso sistema integra as plataformas onde a marca vende e escolhe a modalidade de envio mais adequada para cada destino, porque o pedido precisa sair igual, venha do canal que vier.”
Como a compra espalhada em vários canais pressiona quem vende
A mesma consumidora compra em lugares diferentes ao longo do mês, e cada canal gera um pedido.
Um mês de compras pode se dividir entre loja própria da marca, marketplace e aplicativo de farmácia. O ticket cai, o número de envios sobe e a operação precisa repetir o mesmo padrão em todos. A consistência entre canais vira o diferencial percebido por quem compra sempre.
O consumo feminino de suplementos gera pedidos pequenos, leves e de reposição rápida. Multiplicado por milhões de compradoras, esse volume passa a circular de forma constante pela malha de entrega do país.
Para a marca, a conta operacional muda de natureza. O desafio deixa de ser conquistar a venda e passa a ser repetir a mesma entrega, no mesmo padrão, várias vezes ao ano.
O que esperar da suplementação feminina nos próximos anos
A tendência é de mais participação feminina e de uma cesta cada vez menos ligada a estética.
A projeção divulgada pela entidade do segmento coloca o faturamento em outro patamar no fim da década. Se a fatia das compradoras continuar subindo, o volume adicional de pedidos vai crescer junto. Marcas que tratam a entrega como parte do produto tendem a sustentar melhor essa recorrência.
O consumo feminino de suplementos deve seguir puxando o canal digital. A demanda feminina por suplementos tende a redesenhar o mix de produtos e os formatos de venda, com embalagens menores e planos de reposição.
Para a consumidora, o efeito prático aparece em detalhes simples, como o pedido que chega completo, no prazo combinado e sem surpresa na troca. É esse conjunto que decide se a próxima compra acontece na mesma marca.

